Depois do primeiro ano



O bebé vai crescendo e, sobretudo depois do primeiro ano de vida, o pai passa a ocupar um espaço cada vez maior nas relações com a criança. É bom que se sinta competente e capaz de tal tarefa. É bom que a mãe também saiba isso e não crie dificuldades ou obstáculos, com medo de «perder» o seu bebé e o protagonismo.

O envolvimento do pai com a criança é influenciado por diversos fatores interpessoais, sociais, culturais e económicos. Uma das maiores influências é a relação conjugal: uma elevada satisfação nas relações conjugais estimula os pais para um maior envolvimento nos cuidados aos filhos.

De modo geral, a mãe surge como figura modeladora e regula- dora da intervenção do pai. Assim, curiosamente, quando as mães sentem que tiveram uma relação pobre com o próprio pai, tendem a estimular nos maridos uma relação mais forte com a criança. Com os pais é o contrário: a noção de um grande envolvimento dos seus próprios pais leva a um maior envolvimento da sua parte.

Vale a pena referir aqui algumas das conclusões do excelente trabalho de Leonor Falé Balancho, sobre o papel do pai, e a complementaridade pai/mãe, para bem da saúde física e mental da criança:

  • os ombros do pai são para levar às cavalitas; os da mãe são para apoiar a cabeça, chorar na tristeza ou receber miminhos;
  • o amor que o pai dá oferece à criança o equipamento necessário para se virar para o exterior, sair de casa e construir a sua vida;
  • o pai é tão bom a vestir a criança como a mãe, mas tenderá mais a vesti-la para o Verão em pleno Inverno. No entanto, será mais divertido do que a mãe enquanto a veste…;
  • a mãe nota mais que o atacador está desapertado ou que a febre vem aí; o pai nota se o menino já sabe dar um chuto na bola ou a menina já aprendeu a andar de bicicleta; a mãe é uma especialista nas rotinas do quotidiano, o pai gosta de atiçar a transgressão;
  • o pai coloca questões, incentiva a encontrar respostas, e assim estimula a autonomia e criatividade dos filhos;
  • o pai brinca energicamente, assim instiga à aprendizagem do autocontrolo e da autoconfiança e prepara para as montanhas russas emocionais que a vida trará;
  • o pai comunica de forma mais breve, diretiva e direta, com uma linguagem complexa que estimula ao desenvolvimento das competências linguísticas;
  • o pai protege toda a família, a mãe protege individualmente;
  • papéis de pai e de mãe não são por isso totalmente intermutáveis: ainda que ambos sejam capazes de fazer o mesmo, fazem-no de formas completamente diferentes;
  • a igualdade entre mulher e homem não faz sentido na forma de educar os filhos, fazendo sim sentido aproveitar as diferenciações e promover a complementaridade;
  • a presença do pai é tão importante como a da mãe para um bom desenvolvimento e um saudável equilíbrio psicológico do filho.

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