Dedo ou chupeta?



Sabem que alguns bebés nascem com calos no polegar? Parece incrível, mas isso apenas significa que, durante a sua estadia no útero materno, já chuchavam no dedo.

O dedo…

A esmagadora maioria dos bebés tem uma predileção especial por chuchar diria mesmo, em alguns casos, uma verdadeira obsessão. Estabelece-se com o dedo polegar (ou menos frequentemente com outros) um autêntico caso amoroso e o chuchar enquadra-se nas chamadas atividades de autocontrolo e de gestão do stresse. Tal como o uso da chupeta, o chuchar no dedo parece ser um problema maior para os adultos do que para as próprias crianças. Muitos pais interpretam estes sinais de uma forma demasiado rígida, como se pelo fato de chuchar no dedo ou na chupeta o seu bebé estivesse zangado. Nada de mais errado.
Muitos dos bebés «chuchadores» são calmos, bem adaptados ao ambiente, tranquilos e simpáticos, sem quaisquer sinais ou sintomas de stresse mal gerido.

Os dentes…

Um dos receios dos pais está relacionado com os problemas dentários que podem surgir pelo facto de a criança chuchar no dedo, e é aqui que muitas vezes entram medidas dissuasoras, como produtos de sabor amargo, luvas ou outras formas de restringir ao bebé o acesso do dedo à boca. Como a prática se encarrega de demonstrar, estas medidas em pouco ou nada resultam. Até aos dois anos de idade, são raros os casos em que o dedo interfere com o desenvolvimento dos dentes. Contudo, a partir desta idade, e à medida que a criança cresce, chuchar no dedo pode, de facto, levar os incisivos superiores a ficarem mais salientes.

Medidas «heróicas»…

Há várias maneiras de tentar enganar a criança. Durante o dia, por exemplo, mantendo as duas mãos ocupadas, com jogos e bonecos, de modo a que se distraia e obtenha os diversos sucessos (na brincadeira, nos desafios) sem necessitar do seu companheiro. Pelo contrário, as constantes chamadas de atenção só servem para centrar a criança no problema e transformar uma coisa que tem um significado muito relativo, noutra bastante mais complicada.
Quanto ao chuchar no dedo à noite, uma estratégia pode ser tentar substituir esse afeto pelo abraço a um boneco ou à almofada, retirando a vontade de chuchar (embora seja apenas passar de um «vício» para outro…)- Muitos psicanalistas dizem que, durante o sono, regressamos às nossas atividades mais primárias e ao útero materno – afinal o sítio onde nos sentíamos bem e para onde gostaríamos sempre de voltar. Os bebés que chucham no dedo na sua vida antenatal, provavelmente terão uma maior tendência para chuchar depois de nascer.
Por outro lado, os estudos mostram que os bebés alimentados ao peito, que mamam à vontade durante a noite ou os que não começam a comer outros alimentos para além do leite antes de chegar a altura certa, têm menos tendência para chuchar no dedo. Para além das vantagens do que se consideram ser boas
práticas, ainda vai permitir poupar em aparelhos dos dentes (que não são baratos…).

A chupeta

O que se referiu para o dedo é válido para a chupeta. Algumas crianças são imediatamente confrontadas com ela, mal acabam de sair da sala de partos… ou quase. Muitos pais, quando o bebé nasce, estão já equipados com este objeto, até porque consideram que os hábitos adquirem-se desde pequenino, e então preferem que o bebé aprenda a não chorar de noite e a consolar-se de dia. As chupetas vieram substituir o dedo.
Há, no entanto, alguns detalhes que convém saber. Quando um bebé se está a adaptar ao mamilo da mãe tarefa essa que pode demorar dias a introdução da chupeta poderá dificultar essa aprendizagem, pois para mamar na chupeta o bebé não precisa de abrir tanto a boca e, se utilizar a mesma técnica com o peito da mãe, vai extrair pouco leite, ficar com fome, causar stresse na mãe, o que leva a uma diminuição ainda maior da saída de leite, e ainda causar dores e gretar o mamilo da mãe.
Por outro lado, o cheiro e a textura da borracha ou do material com que é feita a chupeta podem constituir uma fonte de confusão para a criança, na altura de pegar no peito. Será boa política evitar o mais possível a chupeta quando o bebé está a ser amamentado.
Quanto à deformação dentária, existem chupetas ortodônticas, que são achatadas e interferem menos com a dentição, tendo também a vantagem de simularem melhor o mamilo materno. Claro está que nos casos em que o bebé está num caminho regressivo, esta semelhança ainda o convida mais a voltar para a barriga da mãe e a não crescer.
Alguns estudos têm também demonstrado a maior ocorrência de otites em crianças que usam chupeta, em comparação com as que chucham no dedo. Embora este não seja o fator mais decisivo, é sempre uma coisa a ter em conta, dado o aumento da incidência de otites nos bebés que vivem em ambiente urbano (poluição, ambiente de casa, infantários, etc).

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