De quando em quando, vale a pena pensar…



Como vão os vossos «rebentos» na escola?

O tempo passa rapidamente, diremos. Ainda parece ontem o Verão e já estamos praticamente no Natal, e mal acaba o Natal já estará aí a Páscoa e… outra vez o Verão… e rapidamente o Natal.

Será então altura de, neste meio de trimestre, fazer um balanço do que tem sido o infantário ou o jardim-de-infância.

Por exemplo, para as crianças que entraram pela primeira vez (mas também para as outras), valerá a pena reflectir sobre as seguintes questões:

• os vossos filhos estão a gostar da escola?

Esperemos que sim. O sinal mais importante de que se estão a adaptar bem é quererem ir logo de manhã e não estarem propriamente angustiados na altura em que os vão buscar (embora seja bom que gostem de ver os pais ao fim do dia). Deixem-nos gostar da escola. Há pais que sentem uns certos ciúmes da escola e das educadoras que, afinal passam mais tempo com os filhos do que eles. Mas gostar da escola é um primeiro passo para gostarem de aprender;

• a segurança da escola é suficiente? Já pensaram nisso? Acaso visitaram recentemente a sala de aula. o recreio, as instalações sanitárias? Já deram uma vista de olhos crítica às entradas e saídas? Avaliaram o risco de acidentes? Se não o fizeram, façam-no, e transmitam as vossas dúvidas e inquietações aos educadores. Muita coisa pode mudar para melhor se os pais colaborarem activamente na escola, como é seu dever;

• este período já houve passeios e visitas de estudo? Se não, é melhor começar a perguntar se não vai haver. As competências sociais que devem ser ensinadas na escola muito mais do que a simples aprendizagem da escrita, da leitura e da aritmética , têm de incluir saídas para o mundo real: jornais, museus, fábricas, clubes… ou tão somente conhecer melhor a terra onde se vive. Sugiram locais, dentro dos vossos conhecimentos e profissões, para as visitas e passeios de estudo.

Dêem uma ajuda aos educadores, abrindo portas e deitando abaixo barreiras. Os alunos agradecem e a sociedade também;

• os vossos filhos já fizeram novos amigos?

Embora não seja obrigatório ter uma quantidade muito grande de amigos («poucos mas bons!»), é conveniente que tenham alguns para não se sentirem isolados. Será que eles falam desses amigos? Tratam-nos pelo primeiro nome? Contam histórias passadas com eles? Foram já convidados para alguma festa de anos? Sem entrar em «interrogatórios de polícia» tentem saber o que se passa para melhor compreenderem a integração escolar e a personalidade do vosso filho;

• como vai o processo de aprendizagem?

O vosso filho demonstra prazer em aprender? Fala com entusiasmo do que faz? Quer mostrar que já sabe picotar, pintar e contar histórias? Embora a escolarização, em termos de elementos cognitivos, demore um tempo variável a mostrar frutos – nem todas as crianças têm o mesmo ponto de partida e o mesmo ritmo de aprendizagem convirá estar atento (sem ansiedade ou exigências exageradas) a eventuais dificuldades, muitas delas ultrapassáveis em casa com apoio dos pais, sendo porém, às vezes, necessário averiguar a existência de alguma causa orgânica ou psicológica para o insucesso educativo – em caso de dúvida consultem o médico-assistente do vosso filho;

• como vão as actividades desportivas?

O exercício físico e o desporto – correr, saltar, pular – devem fazer parte do dia-a-dia da criança. Infelizmente, a maioria das escolas é ainda muito deficiente no que respeita a este tipo de atividade, seja nas instalações, seja na programação.

Se tiverem hipóteses de complementar a atividade desportiva escolar com qualquer outra fora da escola será excelente, desde que isso não cause perturbação no esquema de vida familiar ou roube à criança demasiado tempo (não se esqueçam que ela tem de continuar a brincar). Falem com os educadores acerca disto;

• sabem o nome das educadoras, auxiliares, cozinheiras dos vossos filhos? Espero que sim, pois será sinal de que eles falam nelas. Conheçam-nas. Perguntem-lhes regularmente como é que o vosso filho se está a dar na escola e se podem contribuir para melhorar alguma coisa. O diálogo entre pais e professores é essencial para todos, pois a escola não é (não pode ser) um mero «depósito de meninos»;
• e as actividades artísticas? A escola providencia e estimula a criatividade e este tipo de atividade? Escultura, pintura, leitura, música? Estejam atentos a estes aspetos pois o desenvolvimento do espírito artístico e de hobbies é um dos factores protectores mais importantes;

Façam esta reflexão e conversem com as crianças e com os educadores. A vida é, para a maioria das pessoas «um molho de brócolos», mas há que dar prioridade a certas coisas e gerir o tempo de forma a não perder o essencial no meio do que é acessório – e a escolarização dos vossos filhos é um fenómeno a acompanhar com gosto e atenção.

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