Crescimento mais estável



A partir do início do segundo ano de vida verifica-se uma desaceleração normal do crescimento – patente aliás no desenho das curvas de crescimento do Boletim de Saúde Infantil e Juvenil: se olharem para ele podem constatar que o número de quilos que a criança vai aumentar no segundo ano é muito menor do que no primeiro, e por aí fora.

Graças a essa desaceleração, que implica uma diminuição da quantidade de alimentos necessária, a que se soma um desinteresse pela comida e pelas refeições (salvo uma ou outra criança mais «amiga do prato»), os vossos filhos poderão passar por períodos em que revelarão falta de interesse pelos ou por alguns alimentos.

Esta travagem no crescimento – que se assemelha a um avião que, depois da subida, entra em velocidade de cruzeiro -, embora normal causa alguma inquietação aos pais, até porque coincide com vários fenómenos:

• A entrada para o infantário, com todas as dúvidas e culpabilizações dos pais e reações das crianças;
• O grande surto de desenvolvimento, que perturba os pais porque sentem a criança «fugir», e da parte desta algum desinteresse pelos alimentos dado estar a concentrar-se noutros domínios;
• A pressão da família e as comparações com os outros, sobretudo porque a criança está com mais crianças e é possível olhar para todas e ver o crescimento relativo;
• O não saber muilo bem o que se vai passar e estar agarrado ao que se presenciou no primeiro ano de vida – para quase dois terços dos pais portugueses a única experiência que acompanharam e de que puderam «tomar notas»;
• A falta de apetite normal, própria de quem está num período em que não cresce tanto, confundida com razões patológicas
Estes são motivos para pensar que há um problema, quando se trata (salvo exceções) de uma evolução normal.

Contudo, esta anorexia fisiológica pode ser motivo de grande preocupação para os pais e geradora de conflitos intrafamiliares (pais versus avós, por exemplo), conduzindo muitas vezes a práticas persuasivas contraproducentes (súplicas, ameaças, refeições demasiadamente prolongadas, rituais, etc.) um pouco como mencionei n’O Grande Livro do Bebé. Estas práticas, uma vez instaladas, podem perdurar durante bastante tempo, perturbando o ambiente do aglomerado familiar e fazendo da hora da refeição um autêntico suplício.

Um aspeto muito típico da evolução normal de algumas chanças é ter (ases de grande crescimento e fases de latência, como se o crescimento se processasse em escada – no início de cada patamar, depois de ter crescido (subido o degrau), há um descanso que leva a que a criança não tenha muito apetite. Esta fase pode variar, em duração, de dois ou três dias a semanas Depois, passado o meio do patamar, antes de iniciar nova subida (ou seja, de voltar a ter um surto de crescimento), a criança retoma o apetite e começa a comer «como um loco» .

Se os pais (ou os médicos, pressionados por eles) deram vitaminas porque estavam preocupados por ela não comer, verão recompensada a sua atitude, embora não exista nenhuma relação causa-efeito. Depois de um período em que come bem (e cresce), a chança volta a estagnar o crescimento, e pára novamente de comer como comia. E assim por diante.

Por isso é que, passado o primeiro ano de vida, não é bom estar constantemente a pesar e a medir – tem de se dar tempo ao tempo para várias destas oscilações acabarem por dar um total uniforme, a menos que se notem sinais evidentes de emagrecimento, sobretudo ao nível das coxas.

Por outro lado, há que entender as fases do desenvolvimento de uma criança desta idade,

Com o seu desejo de autonomia e de afirmação da personalidade. Às vezes esta afirmação é levada ao exagero, com crises de negativismo centradas na refeição, sobretudo se os pais lhe franqueiam essa hipótese e dão muita importância ao assunto – a alimentação passa a ser «o» problema número um da família, com todas as angústias e manipulações subsequentes.

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