Coordenadas gerais do desenvolvimento



N’O Grande Livro do Bebé já abordei em profundidade o desenvolvimento infantil. Vale a pena, no entanto, recordar dois ou três pontos:

•Há muitos fatores que intervêm no processo de desenvolvimento e, consequentemente, nos desempenhos da criança nos vários níveis;
•Alguns destes factores são a inteligência racional, inteligência emocional, capacidade de resolver situações, argúcia, clarividência, fleuma, sangue-frio, discernimento, leitura dos sinais e dados do ambiente e das pessoas, entre outros;
•Os fatores genéticos são muito importantes, como a existência de alguma lesão física ou neurológica (paralisia cerebral, cegueira, surdez, por exemplo), síndroma malformativa, etc. Algumas destas lesões podem ser adquiridas, como no caso de uma meningite ou traumatismo;
•O equilíbrio endócrino, nutricional e orgânico em geral é mais um factor condicionante;
•O sexo e a ordem de nascimento, bem como o lugar na fratria, são outros factores a ter em conta;
•Os fatores familiares representam mais uma vertente: poderão explicar tendências, talentos, gostos e outras linhas gerais do desenvolvimento e das opções comportamentais – não apenas referentes aos pais, mas também à família alargada;
•A personalidade que, como escrevi no primeiro capítulo, é composta por diversas vertentes que se entrecruzam, contribui também de forma decisiva para o desenvolvimento. As características não são boas nem são más, tudo depende do encaminhamento que for dado, no sentido de as transformar em virtudes ou defeitos;
•O ambiente, entendido do ponto de vista físico, ecológico, microbiológico, psicológico e emocional, pode fazer desenvolver ou não os potenciais da criança. A estimulação ambiental é decisiva e, por vezes, não é devidamente valorizada, muito particularmente pelas entidades que planeiam e constroem os espaços onde as crianças
vivem e brincam.
Por outro lado. há que ter em conta que a criança, ao desenvolver-se, tem de gerir vários dossiês, uns muito «pesados», outros mais de rotina. É do 1 aos 5 que a criança sofre uma enorme evolução, designadamente na arquitectura estrutural. Há crianças que conseguem desenvolver-se em todas as áreas, de um modo uniforme, outras escolhem áreas específicas para avançar. Nos períodos mais acelerados, as rotinas – como a alimentação e o sono – podem sofrer instabilidade.

Para compreender o desenvolvimento infantil e ter as expectativas adequadas, há que ter em conta o seguinte:

• em qualquer área que se considere, o desenvolvimento faz-se num processo contínuo, desde a concepção à maturidade, e mesmo depois;
• os indicadores de desenvolvimento (andar aos 12 meses, saber o nome aos 2 anos) são meramente indicativos, sendo a franja da «normalidade» muito larga;
• não é possível a criança fazer determinada coisa se os desempenhos anteriores, dentro da linha de desenvolvimento, não estiverem já consolidados. Não trepará antes
de andar. Não andará sozinha antes de andar apoiada;
•A mielinização dos neurónios é essencial para poder ter um comportamento. A prática pode acelerar etapas, mas não pode dar esta base. E em algumas crianças o processo de maturação neurológica tem um ritmo diferente do do irmão, colega ou filho do vizinho;
•A sequência do desenvolvimento é a mesma para todas as crianças, mas o ritmo e maneira como se faz é sempre diferente.

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