Convulsões febris



Há um medo generalizado relativamente às convulsões febris, o que leva a, tantas vezes, um tratamento errado e exagerado dos estados febris, como se a febre não fosse um mecanismo fisiológico de defesa contra as infeções.

Como os músculos do nosso corpo respondem a estímulos que lhes chegam através dos nervos, se a nível cerebral são dadas ordens para os músculos ora se contraírem, ora se relaxarem, muito rapidamente, como se alguém se entretivesse a brincar com o interruptor e o ligasse e desligasse continuamente, eles obedecerão, originando os sinais tão característicos dos episódios convulsivos: a criança perde a consciência, cai, agita rapidamente os braços e as pernas, deita «espuma» pela boca, perde o controlo dos esfíncteres e urina.

O aparecimento destes sinais e sintomas depende desse estímulo cerebral desorganizado, e a febre (não obrigatoriamente a febre alta, mas o mecanismo de alteração que leva à subida da tempera- tura), pode ser em algumas crianças, devido a imaturidade do sistema nervoso, o fator desencadeante.

Cerca de 4 a 5% das crianças entre o 1 e os 5 anos têm convulsões febris, havendo relação com casos familiares – em dois terços dos casos é possível identificar episódios que ocorreram nos pais ou nos irmãos.

A convulsão aparece precocemente no decurso da doença, geralmente quando a febre está a subir; há duas doenças que, por ocorrerem nestas idades e estarem associadas a febre alta, se acompanham frequentemente de convulsões febris – a otite média aguda e o exantema súbito («6.ª doença» ou roseola infantum).

As convulsões febris não têm nada a ver com epilepsia nem com meningite, nem estão associadas a maior risco de epilepsia, já que na epilepsia existem áreas cerebrais anormalmente hiper-reactivas, seja porque existem problemas de ordem genética, seja como sequela de problemas perinatais ou porque a criança sofreu um traumatismo craniano anterior, por exemplo, enquanto na convulsão febril o que há é uma reação de um cérebro imaturo a
um estímulo (febre).

Há outras situações – infeciosas (encefalites, meningites), tumorais – que se acompanham de febre e convulsões mas em que estas não são consequência daquela, ou seja, febre e convulsões são ambas um resultado da doença base. Existem, contudo, meios científicos para diferenciar umas das outras e, no final da avaliação, o médico poderá afirmar com segurança se se trata de uma convulsão febril ou se existe mais algum problema.

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