Conselho sobre os filhos



A descoberta «deste filho», independente da descoberta dos outros, é algo de único e singular. Para tal, os pais têm de individualizar as crianças, evitar tratá-las como um rebanho, e cultivar espaços, momentos e códigos de cumplicidade únicos.

A vida do dia-a-dia dificulta esta prática, dado que as crianças andam com os pais em conjunto. O nosso eterno «complexo de culpa» também leva a que, quando compramos alguma coisa para um, sintamos logo que temos de compensar o outro e comprar também para ele.

O que muitas vezes é errado, porque adquirimos a primeira coisa em relação estrita com um pensamento motivado por uma conversa, um momento ou algo que foi apenas comum entre nós e um dos filhos. A generalização retirará o elemento simbólico.

As crianças, se vêem por parte dos pais um tratamento monocórdico e igual, poderão pensar «para que é que eu existo?», dado que não se sentem individualizadas, e «cá dentro» sabem que a natureza não admite desperdícios nem dois seres para a mesma função.

E a resposta a essa questão só pode ser: «então tenho de suplantar os manos para mostrar aos pais que terei de ser o último a ser “despedido”», ou «um dia destes decidem que um de nós é descartável e vou ser eu o escolhido».
Para além da ansiedade que este pensamento gera, os comportamentos serão tradução dessa instabilidade e do medo do abandono que, nesta idade, já é um temor natural e inevitável, e até lá fará tudo para dar nas vistas, como birras e comportamentos indesejáveis.

Sentir-se «único e insubstituível», seja porque recebeu um presente, seja porque não o recebeu, é o maior elemento securizador. É por isso que alguns momentos – especialmente o dia de anos, as idas a consultas, certos passeios e conversas, certas atividades -, não devem ser demasiadamente partilhados e desidentificados.

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