Concussão craniana



O termo «concussão» representa, genericamente, o traumatismo craniano que ocorre sem fratura ou hemorragia interna evidente, mas que pode levar a sintomas durante algum tempo, provavelmente pela ação da energia do impacto sobre os circuitos elétricos cerebrais. Um outro efeito é o balanceamento do cérebro dentro da caixa craniana, batendo no osso quando há um traumatismo (especialmente antes dos 5 anos porque, como o cérebro está a crescer, há um espaço livre entre ele e os ossos).

As concussões podem ser resultado de um acidente de automóvel, queda de triciclo ou bicicleta, quedas em geral, violência ou desporto de contacto (futebol, etc.). As concussões repetidas, mesmo não sendo graves, podem causar lesões cerebrais definitivas.

Há três graus de concussão:

  • grau 1, sem perda de consciência e apenas alguma confusão no momento, desorientação e visão desfocada, que cessam após quinze minutos, ficando a criança bem;
  • grau 2, em que os sintomas são semelhantes, mas duram mais de 15 minutos;
  • grau 3, em que há perda de consciência.

São sintomas de concussão:

  • perda temporária da consciência;
  • dores de cabeça persistentes;
  • visão turva;
  • vómitos;
  • problemas de sono;
  • perda de equilíbrio;
  • alteração da memória com amnésia;
  • fala entaramelada ou discurso confuso;
  • dificuldade súbita no processo de aprendizagem;
  • alterações do humor;
  • perda de interesse pelo brincar;
  • sensibilidade anormal à luz e ao som;
  • irritabilidade e ansiedade.

Como algumas das lesões e consequências só se revelam depois, há que fazer uma vigilância a médio e longo prazo. Nos dias seguintes (um dia se for de grau 1, uma semana se for de grau 2, o que o médico determinar, se for de grau 3), é recomendável que a criança não participe em atividades desportivas ou em brincadeiras mais ativas e de contacto, mesmo que diga que está ótima.

Evitar todos os traumatismos cranianos é impossível, mas há um largo campo de manobra para prevenir muitos deles. Desde o uso de cadeiras de segurança no automóvel até explicar porque é que só alguns jogadores de wrestling conseguem aprender a cair sem se magoar, ou ao uso de proteção quando se fazem desportos em que há o risco de queda (capacetes, toques de equitação, etc.), muito se pode fazer.

Se aparecer um «galo», deve colocar-se frio (gelo, de preferência um pacote de ervilhas congelado, porque se adapta melhor, além de colocar um pequeno papel ou pano, para evitar a queimadura de contacto do gelo). Se houver ferida, a criança deverá ser vista porque poderá necessitar de sutura.

No caso de uma concussão grave, se a criança estiver inconsciente não se deve tentar mover pelo risco de poder haver também uma lesão da coluna que se possa agravar. Se há vómito, deve-se rodar lateralmente um pouco a criança, mas mantendo a nuca e a cabeça direitas, com apoio.

Em muitos países é já obrigatório o uso de cinto de segurança nos carrinhos de supermercado. E as crianças muito mexidas não podem ser deixadas sozinhas, mesmo que seja só para a mãe se voltar para a prateleira do lado contrário, porque podem fazer como o Vítor, no caso acima relatado, ou então tentar pôr-se de pé e cair.

Do mesmo modo, não devem ser os irmãos mais velhos a empurrar o carrinho, porque não sabem medir a velocidade, os trajetos e as travagens (além de acharem piada acelerar e fazer do carrinho um autêntico Fórmula Um), podendo ocasional um acidente grave…além dos prejuízos.

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