Como prevenir



O facto de a varicela não ser tão «mansa» como se pensava e o crescente número de crianças com imunodeficiências ou em tratamento para cancro, levou ao empenhamento no desenvolvimento de uma vacina. Esta vacina está comercializada em Portugal e consiste numa vacina de vírus vivos atenuados (um processo semelhante aos das vacinas anti sarampo, anti rubéola, anti papeira).

Está provado que a vacinação com a vacina anti varicela reduz em muito o número de casos graves e não graves. A vacina, que parece conferir imunidade durante um período prolongado, pode causar febre, reações no local da administração e um exantema (manchas na pele) mas tudo isto é semelhante ao que outras vacinas podem causar e não se trata de reações graves. As dúvidas que têm surgido relativamente à vacina da varicela prendem-se com o seguinte:

  • a vacina, embora eficaz, pode também ela gerar alguns casos de zona, no futuro (dado que é de vírus vivos). Embora se pensem ser mais benignos e muito menos prováveis do que os casos decorrentes da infeção natural, trata-se de uma situação «induzida», pelo que há que ter cuidado para que, depois, ninguém possa processar, por exemplo, os serviços de saúde por terem «causado» uma doença;
  • o vírus da varicela é um vírus altamente «estratégico» e «inteligente». Ao contrário de outros, se a sua «população-alvo» começar a escassear, poderá concentrar-se noutros grupos etários e populacionais, como os idosos ou as pessoas que têm algum tipo de imunocompromisso (doenças oncológicas, tratamentos com citostáticos, infeção HIV, etc.), com efeitos potencialmente de- vastadores;
  • poderá haver algum receio, apesar da longa experiência dos EUA e do Japão, que venha a ser necessária uma revacinação décadas depois (os vírus da vacina são vivos, mas atenuados). E a questão que se pode levantar é: como reunir, então, essas pessoas, que estarão numa idade em que praticamente pouco vão ao médico ou contactam os serviços de saúde, dado que são eminentemente saudáveis?

Todas estas questões são pertinentes e devem ser debatidas, designadamente a nível das políticas nacionais. No entanto, no momento em que o Governo autorizou a comercialização da vacina nas farmácias, obviamente que é dever dos médicos-assistentes colocarem a hipótese de vacinação aos pais, cabendo a estes decidirem se vacinam ou não os filhos. E, neste caso, poderá haver um conflito de interesses entre o interesse da criança individual e o interesse da população em geral.

A Sociedade Portuguesa de Pediatria (Secção de Infeciologia) considera «inquestionável» a necessidade de uma vacina contra a varicela. Espera-se que a tecnologia permita, como aconteceu com outras vacinas, melhorar este produto quanto à sua eficácia, preço e efeitos colaterais.

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