Célula a célula, «enche o menino o papo»



Tudo caminha bem até que, com o tempo, se cria um desequilíbrio entre os gastos e consumos, e a «balança- pende para um dos lados Isto acontece sobretudo depois dos primeiros anos de vida, quando a quantidade de calorias proporcionadas pelos alimentos é excessiva relativamente às necessidades do dia-a-dia, e quando o ritmo de fabrico de novos tecidos e de células começa a relentar.

A criança aumenta então demasiado de peso, alterando a silhueta, numa idade em que, socialmente, essa forma redonda deixa de ser apreciada e passa a ser ridicularizada e até impeditiva para algumas brincadeiras: no futebol, o «gordo», quando muito, joga à baliza, e provavelmente porque tem um corpo maior e impede a entrada das bolas. Também, no cinema, na televisão, na literatura infantil, o menino modelo é sempre magro; o gordo é sempre excluído, alcunhado, ostracizado logo no jardim-de-infância.

A obesidade é uma fonte de sobrecarga psicológica importante para a criança, com consequências e marcas definitivas muito acentuadas, e representa graves riscos orgânicos para a sua saúde, o que sublinha a importância da sua prevenção e diagnóstico precoce.

Os pais são talvez os principais responsáveis pelo excesso de peso dos seus filhos, pois acham quase sempre que a criança nunca come o suficiente e, em consequência, enchem-na de toda a espécie de alimentos – e o problema não está apenas na quantidade como, principalmente, na qualidade. Além disso, os pais são os modelos que as crianças tentam seguir e, portanto, só adquirem bons hábitos se tiverem bons exemplos no dia-a-dia. É altura de nos consciencializarmos de que não podemos incutir uma alimentação racional e um estilo de vida inteligente e saudável nas crianças, se não formos os primeiros a dar o exemplo:

Porquê ir para o trabalho de carro, se pode ir a pé? Ou comprar o jornal ou ir ao café? Porquê beber refrigerantes em vez de beber água? Porquê não aproveitar os momentos livres para dar um passeio em família?

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