Cardiopatias



As cardiopatias, ou doenças cardíacas são na sua maioria de origem congénita, e são identificadas in útero ou nos primeiros dias ou semanas de vida, graças aos cuidados obstétricos e pediátricos, e às possibilidades tecnológicas.

O coração humano forma-se pela quarta semana de gestação. Dado que é uma altura muito precoce, em que inclusivamente a mulher pode nem ter ainda percebido que está grávida, a suscetibilidade a agentes nocivos é grande, desde infeções a radiações, medicamentos, etc.

Dado que a placenta faz a oxigenação e limpeza do sangue, podem existir cardiopatias sem o feto ter qualquer sinal hemodinâmico. As ecografias durante a gravidez permitem identificar a maioria das situações graves, havendo lugar para a ecocardiografia fetal sempre que o ecografista obstetra suspeita de algum problema.

Ao nascer, o bebé passa a estar dependente de si próprio, havendo lugar a grandes alterações no coração, com encerramento de alguns orifícios e mudanças grandes de pressão entre o lado esquerdo e o direito do coração, e o estabelecimento da circulação pulmonar, possível com a expansão do pulmão.

As cardiopatias congénitas são, na larga maioria, plurifactoriais. Algumas podem estar relacionadas com síndromas, como a rubéola congénita, a síndroma de Down, entre outras. Algumas cardiopatias podem ser adquiridas (como as miocardites), mas é raro surgirem neste grupo etário.

Mais raramente, uma anomalia congénita ou doença de origem desconhecida pode revelar-se entre o 1 e os 5 anos, manifestando-se por arritmias (por exemplo, grande aumento da frequência cardíaca, por vezes mencionada pela própria criança quando já tem idade para o dizer), cansaço, pneumonias de repetição, atraso de crescimento, episódios de cianose (ficar azulado), hipertensão, entre outras.

Neste grupo etário, as cardiopatias mais frequentes são as comunicações entre os ventrículos ou entre as aurículas (como remanescentes dos orifícios existentes antes do nascimento), alguns problemas valvulares (como o prolapso da válvula mitral) ou as cardiopatias adquiridas, como as miocardites. Algumas arritmias podem aparecer nesta idade.

São situações raras, e em face das queixas dos pais ou da criança, o médico-assistente, complementando com a observação, sugerirá ou não a realização de exames ou a referenciação para um cardiologista pediatra. É sempre preferível que as crianças sejam observadas por um cardiologista pediatra e não por um cardiologista sem essa competência, dado que é diferente a abordagem de um coração de criança ou de adulto.

Daí existir, há muitos anos, a especialidade pediátrica da cardiologia. É de realçar que, graças aos avanços tecnológicos e científicos, praticamente todas as cardiopatias podem atualmente ser tratadas, e mesmo curadas.

Comentários

Cardiopatias | Para Pais.