Brincar ao ar livre



Às vezes penso que, se os nórdicos, holandeses, ingleses alemães, irlandeses, canadianos… a lista podia continuar, fossem como alguns (muitos) portugueses, as suas crianças só poderiam sair à rua uns escassos dias no ano.

As crianças podem e devem brincar ao ar livre, apanhar chuva e frio, sujar-se. Podem
achar exagerado, mas, se dentro de certos limites, é uma prática saudável. Enquanto
uma criança desenvolve actividade muscular, desenvolve também calor e não há risco de
apanhar chuva ou frio, desde que haja alguma habituação e treino. A questão está quando pára, pelo que depois de brincar à chuva ou ao frio, é necessário manter a criança quente e secá-la, mudando até de roupa. São as transições que causam vulnerabilidade e susceptibilidade à doença.

Quanto ao sujar-se, há que não confundir ficar cheio de lama e de relva com poluição
ou contrair doenças. Se os elementos naturais – terra, relva – não estiverem contaminados com dejectos animais, perigos como garrafas ou vidros, pontas de cigarros, pesticidas ou qualquer outro elemento similar, não há qualquer risco de brincar à vontade… mesmo sujando-se.

Algum novo-riquismo faz com que as crianças vejam os escassos momentos de liberdade que têm cerceados por causa de razões que nada têm a ver com elas. Pessoalmente, acho que gastar muito dinheiro em roupas é um disparate. Primeiro, porque as crianças crescem, depois porque há mecanismos rápidos de as lavar, finalmente porque é um desperdício e o custo faz os pais considerarem a roupa mais importante do que as atividades que os filhos possam fazer.

Pouca roupa e barata. E uma coisa ou outra mais cara para as ocasiões muito especiais.

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