Autoestime, autoconceito, autoimagem



Como é que uma criança combate o medo de ser descartável e por isso abandonada?
É sentindo-se útil, realizada, necessária, única e insubstituível. É isso a autoestima.

Como é que uma criança aprende a identificar-se como ser autónomo e não mesclado com os outros? Desenvolvendo os seus talentos e apreciando-os numa comparação com os outros, admirando-se a si própria. É o autoconceito.
Como é que uma criança lida com o facto de os outros também serem, também terem uma
cara (a sua identidade), um corpo, uma mente? Vendo-se a si própria, física e intelectualmente, e desenhando-se como se de uma representação se tratasse. É autoimagem.

Se qualquer uma destas estiver «em baixa», a criança sofre, sente-se diminuída,
inútil, desenquadrada, feia – angustia-se e deprime-se.

Se estiver demasiado «em alta» sentir-se-á formidável, superior, omnipotente, a mais bela, a melhor – torna-se arrogante e narcísica. É por isso que a educação, o exemplo e todo o enquadramento familiar e ambiental podem ajudar a produzir pessoas equilibradas ou puxadas para algum destes extremos. Conhecemos exemplos de tudo, na «vida real».

O desejo que muitos pais têm em criar filhos resilientes e que possam enfrentar os escolhos da vida, associado a desejarem ver confirmado «quão bons pais são em produzirem tais filhos», se não obedecer a uma estratégia equilibrada, leva a que algumas crianças cresçam distanciadas da realidade, havendo sempre atenuantes para as suas ações incorretas e um exagero no louvor em coisas banais.

Poderá parecer contraditório com o que escrevo ao longo deste livro, mas fazer uma criança sentir-se única e insubstituível não é fazê-la sentir que é a melhor do mundo e que nada tem a corrigir.

Se uma criança cresce com tais diretivas, prolonga a sua omnipotência natural para além dos 2 anos, não aprendendo a respeitar os outros («quais outros?» – quase que dirá) nem a pensar que, em tudo o que faça. Será necessário e gostoso um processo de aperfeiçoamento. Além disso, mesmo achando-se «o rei do mundo», a sua estrutura será de enorme fragilidade, podendo ruir à mínima contrariedade, o que a fará defender-se ignorando as suas fraquezas e achando que é tão boa que o mundo nem sequer a merece.

Dirá que tudo o que tem. faz ou contacta é o melhor, fazendo dos outros «pobres de
espírito» sem acesso ao que só ela consegue. Sem conhecer a frustração e o sentimento de falhar não se desenvolvem fatores protetores nem empatia.

É difícil ser equilibrado e objetivo quando se trata dos nossos filhos – diria mesmo que somos juízes em causa própria. Mas teremos de nos esforçar para que saibamos avaliar corretamente os seus atos e dar a devida resposta. Eles agradecem.

A autoestima não é um fio contínuo, mas o equilíbrio entre duas vertentes: a subvalorização e a supervalorização. O que é importante é que nenhuma destas componentes se desvie muito, para um lado e para o outro. E que nunca possamos pensar, quando olhamos para o espelho: «Sou o melhor!», nem «Sou o pior!» Para esta avaliação contam o sentimento de segurança e de confiança, o autoconhecimento, o sentimento de pertença a um grupo e o de competência.

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