Atropelamentos



Os atropelamentos de crianças vitimam, em média, cerca de 15 crianças com menos de 6 anos de idade. Para cada morte calculam-se cerca de onze feridos graves e cinquenta feridos ligeiros. Ou seja, anualmente, cerca de mil crianças do 1-5 anos (três por dia) estão envolvidas em atropelamentos, sendo nove em cada dez casos dentro das localidades, onde supostamente estão as zonas residenciais, as escolas, os espaços de lazer, e onde a velocidade dos automóveis é limitada por lei. Não há diferenças significativas entre rapazes e raparigas.

Podemos argumentar que «uma criança sai de repente do nada», que «atravessam fora das passadeiras», que «saem da escola a correr» ou que «atrás de uma bola vêm sempre várias crianças».

É possivelmente verdade, embora não tão verdade como isso, dado que muitos destes atropelamentos se dão precisamente nas passadeiras, nos circuitos normais das crianças e até no passeio. Mas mesmo que aquelas afirmações correspondessem totalmente à verdade…não serão esses comportamentos os que esperaríamos de crianças desta idade?

O que faz o Leitor sentir que atravessa uma rua em segurança? Olha para a esquerda, vê se vêm carros e a que velocidade e distância, depois o mesmo para a direita, calcula o que tem de atravessar e decide. E às vezes vê que decidiu quase à tangente.

Antes dos 12 anos de idade, uma criança não tem, em média, coordenação funcional para uma operação destas. Em primeiro lugar, não consegue calcular a distância dos automóveis nem a velocidade. Depois, quando olha para o outro lado, o cérebro não consegue ver os carros que tinha visto primeiro, num sentido dinâmico, ou seja, calcular a sua movimentação.

Quando olha para o outro lado, esquece-se da primeira imagem. E finalmente, não consegue integrar estes cálculos na distância que tem de percorrer para atravessar. É por isso que as crianças atravessam sempre a correr, por sentirem que correm riscos.

Mais, como os carros estacionam mesmo junto das passadeiras, uma criança não consegue ver por cima deles e só vê se vem algum carro quando está mesmo exposta ao perigo, à frente do carro.

Cabe aos pais e cidadãos proteger as crianças no seu dia-a-dia, nos percursos entre a casa e a escola, nos locais de brincadeira, na rua (que muitas vezes se transforma também num espaço lúdico e de recreio), nos atravessamentos de ruas ou, simplesmente, à porta de casa, nas pequenas localidades atravessadas por vias de grande densidade de tráfego.

E se todos os condutores são peões, pensemos que, ao volante, temos de ter em atenção as situações inesperadas, junto de áreas residenciais, escolas e áreas de recreio e de lazer, ou sempre que vejamos uma criança (com adultos ou só), mesmo que andando no passeio ou esperando pelo sinal para atravessar – a qualquer momento pode dar-se uma distração e a criança expor-se ao risco.

E mesmo que não possamos evitar o acidente, se o embate for a uma velocidade baixa, as consequências serão muitíssimo menos graves.

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