As tradições populares



No 13 de Junho, celebra-se o Dia de Santo António. Mais adiante o dia de São João, depois o de São Pedro – e mais santos poder-se-iam acrescentar, até ao dia de Todos-os-Santos. Cada dia do calendário tem um ou mais santos e a sua celebração – independentemente de se acreditar ou não e em que grau nos dogmas, preceitos e enigmas da santidade -, é uma boa oportunidade para se
festejar. E há aldeias e vilas onde os santos até são de Inverno, como o São Sebastião,
por exemplo.

Nas vilas e aldeias portuguesas (ou nos bairros das grandes cidades), os santos constituem um óptimo pretexto para organizar festas e procissões, bailaricos e vendas, comer farturas e pão com chouriço, sardinha assada e um copito de vinho. Mais as rifas e os sorteios. São festas com grandes tradições, que mobilizam as aldeias e as comunidades como um todo, e que servem para as pessoas se esquecerem um pouco das maçadas do dia-a-dia e sentirem que a vida não é nem tem de ser apenas um repositório de encrencas e de caras amarradas pelos desgostos de um quotidiano mal vivido e pouco amado.

Que dizer, então dos nossos filhos? Será que, com a evolução dos tempos e com as rapidíssimas mudanças ocorridas na sociedade, ao que se somou a normalização televisiva, as festas populares ainda despertam algum entusiasmo?

Que sabem os nossos filhos acerca das tradições, dos costumes, das marcas que marcam (perdoe-se o pleonasmo) as comunidades e as pessoas? Que lhes damos a conhecer sobre as origens, as raízes, os
porquês de práticas ancestrais que, numa sociedade demasiado séria e que tem de encontrar vantagens económico-financeiras para tudo, podem fugir aos cânones do custo/benefício e às cartilhas do pragmatismo? Quantas vezes, envergonhadamente, os pais como que passam uma esponja sobre as suas proveniências rurais ou paisanas, como se falar disso fosse confessar alguma fraqueza inconfessável ou simplesmente dizer aos filhos que já houve um dia em que a família foi ingenuamente néscia ou culturalmente comunitária.

O desenraizamento climático, ambiental, habitacional, mas principalmente social e cultural constitui um dos maiores factores de risco da nossa sociedade. O Homem, sendo  um ser gregário, tem de partilhar vivências, tradições e lendas com os restantes membros da comunidade. Tem de ter sinais de pertença que o identifiquem como um dos membros dessa mesma comunidade. Preferencialmente, esses sinais e marcas deverão estar associados a aspectos festivos e positivos, entre os quais se encontram as festas populares.

E os santos, neste aspecto, deram uma ajuda muito boa.

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