As rotinas são indispensáveis



É fundamental na hora de deitar adoptar uma rotina diária (que pode e deve ser quebrada de vez em quando):

• fixar uma hora de deitar que seja «normal» (e que tome em conta fatores a que não se pode fugir, como a hora a que os pais chegam a casa, hora de jantar, etc);
• não deixar a televisão ser um fator relevante para marcar horários;
• começar os pormenores de rotina cerca de meia a uma hora antes de a criança se ir deitar e manter a ordem com que se faz as coisas;
• deitar a criança e assegurar que o clima é de paz (se a criança vai para a cama no meio de discussões dos pais, de barulho da TV, de grande confusão, dificilmente dormirá porque, ou está interessada no que se passa nomeadamente nas guerras entre os progenitores , ou o barulho não a deixa dormir, ou fica angustiada – sobretudo se pressente violência no ar);
• uma vez a criança deitada, não ficar demasiado tempo com ela (não mais de 5 minutos). A pequena história deve ser contada antes. Quanto mais tempo, pior e mais difícil será a separação;
• ao despedirem-se da criança, os pais devem dizer sempre o mesmo, a rotina de um beijo, um mimo… mas sempre o mesmo essa frase deverá ser usada também a meio da noite, quando a criança acorda;
• se a criança se escapar da cama (menos provável num bebé em cama de grades) e aparece por exemplo à porta da sala, apanhá-la o mais cedo possível, fazer uma expressão de desagrado, usar um tom de voz que não dê margem para dúvidas (não é berrar berrar é interpretado como falta de autoridade e acaba por ser um excelente argumento para vitimização e mais choro de «coitadinha») e voltá-la a pôr na cama. Se os pais não se conseguem impor, rapidamente a criança fará «de gato sapato» os pais, quer à noite, quer durante o dia;
• os primeiros apelos (apenas os primeiros) vindos da cama, mesmo com uma performance impecável, deverão ser ignorados (é difícil mas tem que ser);
• se o bebé continuar a chorar é evidente que se tem que ir dar-lhe apoio;
• se, com o stresse, a criança vomitar óptima maneira de pôr a família em alvoroço e esquema de manipulação muito utilizado, deve-se limpar tudo mas sem recriminar o bebé, sem fazer um escândalo e, sobretudo, evitando o contato olhos-nos-olhos com a criança;
• por último, é fundamental que ambos os pais cheguem a um acordo em relação à estratégia a seguir. Se a criança descobre que há desavenças entre os pais há-de explorá-las até à exaustão, fazendo alianças com o progenitor que está mais perto de ceder aos seus caprichos e utilizando isso para desafiar o outro.

Não somos pais perfeitos e é difícil não sermos sensíveis aos apelos dos nossos filhos, que caem que nem bombas no meio de todos os nossos complexos de culpa culpa por não estarmos suficiente tempo com eles, culpa por o mundo ser o que é e mais umas quantas coisas. Advogando que não se faça nada que possa equivaler a brutalizar as crianças (como deixadas chorar «horas e horas»), é bom saber distinguir educação de violência, bem como, necessidade de afecto de estratagemas de quem, mesmo sendo pequenino, já sabe mais do que às vezes se diria.

As crianças são muito manipuladoras, nomeadamente dos sentimentos dos pais…
A melhor maneira de evitar estes problemas é utilizar bom senso, equilíbrio emocional, não misturar os problemas o fato de termos a vida que temos não justifica que nos ponhamos de cócoras perante as crianças e, principalmente, fazer a prevenção destas situações, e isso consegue-se com harmonia e sintonia familiar, com regras (flexíveis, mas regras, na mesma), com o desempenho dos papéis de cada um sem promiscuidades (pais são pais, filhos são filhos) e com um ambiente motivador da confiança e do bem-estar de toda a família. E sempre com ternura e sem medo de a demonstrar.

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