As crianças têm coração que chegue para todos…



Há que desdramatizar esta situação.
As crianças têm sentimentos de sobra para lidar com todos estes avós e para gerir o tempo e o espaço, afetivo e outro, que devem a cada um deles. Na melhor das hipóteses, em caso de divórcio dos pais, se ambos voltarem a casar, a criançapoderá ter quatro avós naturais mais quatro de empréstimo, oito bisavós naturais mais oito de empréstimo – só aqui já estão vinte e quatro – e se calhar ainda algum trisavô daqueles que resistem às «intempéries do tempo».

Não vale a pena fazer uma tempestade num copo de água e o bom relacionamento é fundamental, a bem da criança. Não vale também a pena pelo contrário, é contraproducente, desfazer a imagem dos outros, criticando-os, humilhando-os, reduzindo a sua importância. O poder e o amor podem e devem ser partilhados, sobretudo no caso das crianças e jovens, que têm ainda uma enorme capacidade para receber e dar… e que não hesitarão em escolher segundo os seus próprios parâmetros, estando-se «nas tintas» para as escolhas que os adultos pretendem fazer por eles.

Dois quartos, duas famílias, irmãos daqui e dali, dois Natais, férias variadas, realidades diferentes, mimo em dobro, alguma insegurança… às vezes deveres redobrados e contratempos acrescidos, enfim, o resultado é na maior parte dos casos muito satisfatório, principalmente se os intervenientes não se olharem como inimigos, adversários ou em concorrência permanente.

Quem sai a ganhar com esta atitude, mesmo engolindo alguns sapos pelo caminho, são seguramente os avós os biológicos e os de «empréstimo» e, em consequência, o relacionamento entre eles e os seus netos.

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