As cidades «amigas das crianças»



Não importa a dimensão do local, se cidade, vila, aldeia, município, freguesia ou apenas uma rua… o que interessa, isso sim, é o estudo da situação, a confrontação com o que é desejável, em termos de promoção da saúde, e a definição de um plano, com prazos e orçamentos, actividades, parceiros e monitorização, para se poder atingir os objectivos definidos. E os pais têm de ser mais activos na defesa de ambientes de qualidade para os seus filhos.

A manutenção da «escala humana» é, talvez, o ponto principal, e isso diz respeito às dimensões, ritmos, velocidades, distâncias, tempos, altura de edifícios, existência de locais de descanso, possibilidade de descanso a meio do dia ou horários, bem como ao planeamento das actividades e disponibilidade dessas mesmas actividades.

A actual estrutura organizativa que concentra a habitação (dormitório) num local, o trabalho/emprego noutro, as creches, jardins-de-infância e escolas num terceiro, as zonas comerciais num quarto e, finalmente, as zonas de lazer ainda noutro, pode ter sido criada como o intuito de ser muito «operacional», mas revelou-se de uma ineficácia inaceitável, em termos de manutenção e promoção da saúde, obrigando a extensas deslocações, morosas e cansativas.

A ideia de que as crianças deveriam ser poupadas aos elementos naturais, pelo risco de contraírem doenças, ainda muito enraizado na população portuguesa («Não brinques na terra!» «Volta para dentro porque vai chover!»») fez com que as actividades de lazer passassem a ter lugar dentro de espaços fechados. Sem estar expostas à chuva e ao vento, ao calor e ao frio, seriam mais saudá-
veis. E, assim, os espaços abertos, organizados ou espontâneos, foram relegados para um lugar muito pouco importante. Erro major: as doenças infecciosas «agradecem» que os adultos juntem crianças em espaços fechados, de janelas fechadas, dentro de cidades fechadas. E os acidentes, a agressividade
mal gerida e o stresse, também agradecem. Pelo contrário, o regresso ao conceito de «bairro», onde é possível percorrer a pé os trajetos entre a casa, trabalho, escola e atividades de lazer, possibilita uma muito melhor gestão do tempo, maior descanso, tranquilidade, maior poder do próprio sobre os acontecimentos e sobre o «tempo» (visto,pela maioria como algo que existe independentemente das pessoas).

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