Alimentação ou nutrição?



Antes de abordar aspetos mais concretos, creio ser útil pensarmos um pouco nesta dicotomia. Usam-se habitualmente estes dois termos indiscriminadamente, mas é errado. Alimentação é o que comemos.

Nutrição é o que acontece aos alimentos no nosso organismo. E ainda temos de acrescentar outra coisa que são as refeições, ou seja, o horário, contexto, circunstâncias e características dos momentos alimentares. E ainda poderíamos falar da escolha dos alimentos, armazenamento, confeção, apresentação dos pratos, enfim, o que designamos globalmente por culinária.

São muitos aspetos, portanto, cuja diferenciação na linguagem diária é irrelevante, mas que ao pensarmos nas crianças é bom saber separar. Porque muitas vezes os problemas, sucessos, regras, fases de avanços e recuos da alimentação não são os mesmos da nutrição ou das refeições.

Uma criança deste grupo etário precisa de alimentos por vários motivos:

• Para viver. As células funcionam à base de energia que vem da transformação da glucose (açúcar do sangue, proveniente de vários tipos de alimentos) com o oxigénio que nos chega da respiração. É esta «gasolina» que as faz viver;

• Para manter a temperatura. Já pensaram que somos uma caldeira que, mesmo nos dias frios, tem de manter o corpo a uma média de 37°C? Já viram que, se fossem aquecer a vossa casa, no Inverno, a estas temperaturas, gastavam uma energia imensa (e cara!);

• Para crescer. Pode-se dizer que, na prática, todos os órgãos e tecidos crescem, na criança, com fases de grande aceleração, de onde decorre a necessidade de uma energia suplementar, principalmente quando está nesses períodos de maior crescimento físico ou orgânico;

• Para o funcionamento dos órgãos. Cada órgão – até cada tecido ou cada célula – é um laboratório que precisa de vários componentes. Não basta energia, é preciso, conforme o órgão e a função, um sem número de elementos, enzimas, das vitaminas e minerais aos hidratos de carbono, lípidos e proteínas.

Assim, é indispensável a alimentação, a nutrição e as refeições serem equilibradas, adequadas e proporcionadas. E divididas e pensadas conforme a atividade que se vai ter. A medida que uma criança cresce, os dias começam a ser cada vez menos iguais (verdadeiramente, nunca são, em qualquer fase da vida): um dia calmo, sem grande atividade intelectual ou física, coincidente com um período de estabilidade no crescimento necessitará de energia e de elementos diferentes do que um dia cheio de aprendizagem cognitiva e exercício físico, numa fase de grande velocidade de crescimento.

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