Algumas dicas para melhor comunicar



Crianças são pessoas. E embora o ditado diga, que «quando um burro fala os outros baixam as orelhas», o verdadeiro significado é o contrário: baixam as orelhas de respeito, mas levantam-nas para escutar melhor. E ouvir e escutar não são a mesma coisa.

Interromper uma criança que se está a tentar expressar, seja por impaciência, desinteresse ou para lhe acabar as frases é humilhante e castrador. Às vezes demoram e demoram, enganam-se, não sabem bem como terminar, mas despachá-las é errado. E não as vai estimular a falar – com ouvintes pouco atentos qualquer esforço será um desperdício. Tentem ajudá-la a retomar o fio à meada, caso ela se perca, basta uma ajuda como: «Estavas a dizer que…»

Quando dizemos alguma coisa escolhemos o que vamos dizer. Não apenas as palavras,
mas a informação, os sentimentos. Escolhe- mos criteriosamente o que vamos comunicar ou esconder. O que expomos e o que reservamos.

As crianças não são diferentes. E é importante – em qualquer idade -, perceber o que
está nas entrelinhas e que não chega a atingir a comunicação verbal. É como a criança que se aproxima da professora, no fim da aula, deixa as outras saírem e diz «Há uma coisa…»

Porventura quer contar que foi molestada sexualmente, mas se a resposta for: «Agora não tenho tempo, falamos depois um dia», a oportunidade perder-se-á para sempre. Há que ter em atenção que os assuntos mais difíceis são veiculados com uma linguagem cifrada e enigmática.

Ouçam o vosso filho, mas escutem-no também. E escutá-lo é ouvir o que diz e o que não diz. Muitas vezes mais isto: o que quer dizer, mas não tem palavras, expressões e maturidade para dizer.

Tão importante como escutar a criança é entender o que ela não quer ou não consegue dizer. Expressar sentimentos, então, mais ainda do que descrever factos, é de uma dificuldade tremenda.

Numa altura em que a linguagem verbal ainda se está a desenvolver, é muito importante que atentemos à sua linguagem corporal (designadamente das mãos), ao tom e timbre da voz, à expressão facial. As crianças «falam» com o corpo inteiro. Embora se devam deixar expressar, podemos ir dando uma ajuda, no sentido de lhes mostrar que estamos em sintonia e a compreendê-las: «Parece-me que estás chateado», «Pareces-me triste.», «Hoje estás mesmo contente, não estás?»

E do mesmo modo que temos de estar atentos às diversas linguagens das crianças,
não podemos esquecer que elas estão atentas às nossas.

No caso abaixo descrito, o que se passava era que a Teresa tinha visto os pais zangados.

E nem sequer era um com o outro. Portanto, só podia ser com ela, Teresa. Ela até se lembrava que, ao regressarem do supermercado, a mãe tinha-lhe dito: «Agora deixa passara fica aí a brincar um bocado.» Por causa da eles estavam zangados. Tanto que o pai saíra de casa.

A Teresa tinha ido buscar o seu ursinho, o que dormia com ela, e agarrara-se a ele. menos o ursinho não gritava nem gesticula furioso…

A comunicação deveria sempre expressará que se pretende comunicar. Infelizmente o]
adultos são peritos em meias-palavras, seguidos sentidos e em dizerem aquilo que nâl
pensam. Mas já estão habituados e dão o desconto, mas mesmo assim há mal-entendido
frequentes, mesmo entre pessoas que se conhecem bem.

Quando falamos com uma criança tema de lhe falar dos nossos sentimentos Em vez de dizer «Porque é que estás a fazer tanto barulho? Não vês que estou cheio de dores de cabeça?», o que transfere para os ombros da criança um sentimento de culpa, orna acusação de estar a lazer algo que não deve, talvez seja mais justo e resulte melhor
dizer: «Estou cheio de dores de cabeça e fica pior com o barulho que está nesta sala.Não tem a ver contigo, mas posso pedir-te para fazeres um bocadinho menos de barulho?»

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