Adenoidites e adenoides



«O médico disse que o meu filho “tem” adenoides…», «se calhar devia ser operado…», «anda assim por causa dos adenoides…».

Os «adenoides» são motivo de conversa de muitos pais, e também fonte de alguma preocupação, de algumas decisões médicas precipitadas e muitas intervenções cirúrgicas de eficácia duvidosa.

Os adenoides são estruturas que existem na parte de trás do nariz, onde começa a garganta. Pertencem ao grupo das chamadas estruturas linfoides, pelo facto de serem constituídos por tecido desta natureza – o tecido linfoide – como as amígdalas ou os gânglios linfáticos.

Trata-se de um tecido especializado na defesa local e regional contra as infeções, pelo que os adenoides têm funções eminentemente defensivas, estão estrategicamente colocados de forma a abranger as duas zonas de maior «perigo» – a boca e o nariz, contra as agressões pelos vários agentes que pretendem entrar no organismo – micróbios, poeiras, fumo de tabaco, poluição – complementando a tarefa começada logo à partida pelo nariz.

Para melhor desempenharem a sua função, começam a aumentar no final do primeiro ano de vida e mantêm-se grandes até cerca dos 4 anos de idade, altura em que começam a diminuir de tamanho, dado que já não são tão necessários, acabando por ficar de dimensões muito reduzidas na criança mais velha.

Os adenoides podem, assim, devido às suas funções e ao seu tamanho, causar problemas, quase como se de um «excesso de zelo» se tratasse. Quando os microrganismos entram (pela boca ou nariz), deparam com esses «guardas avançados», que são os adenoides.

Estes fixam os micróbios, iniciam uma luta contra eles, dentro de si próprios, e aumentam de volume, produzindo também muitas secreções, que mais não são do que o resultado dessa batalha, na qual estão envolvidos glóbulos brancos, anticorpos e outros componentes gerais da defesa imunológica.

Quando as infeções se repetem frequentemente os adenoides não têm tempo de voltar ao tamanho anterior e mantêm-se grandes, muitas vezes com uma inflamação crónica e começando a causar alguns problemas, nomeadamente obstrução ao fluxo aéreo normal, sobretudo na posição de deitado (visto estarem mesmo no fundo do nariz, por onde deverá circular o ar inspirado). Se a criança for alérgica as coisas agravam-se, porque o tecido linfoide adenoideu reage ainda com maior violência, inflamando-se e aumentando mais do que seria de desejar, e produzindo quantidades apreciáveis de secreções.

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