A sesta



Quando estão muito tempo a utilizar o computador já devem ter reparado que, a da altura, ele parece que parou e por mais teclas em que carreguemos, nada acontece. Está a arrumar a informação e a reorganizar-se. E por isso fecha-se ao teclado e aos inputs externos.

Determinar, porque nasceu até 31 de Dezembro ou depois dessa data, se deve ou não dormir a sesta é um péssimo serviço que se presta às crianças. Os cérebros funcionam
de maneira diferente, e além disso o próprio cansaço, o número de estímulos e muitos
outros condicionantes orgânicos e psíquicos entram neste balanço.

O que nas escolas (ou em casa) se deve fazer é proporcionar ambientes onde a sesta
possa ser feita (luz velada, uma caminha, silêncio), e deixar ao critério das crianças – estudando-as para ver se não é apenas uma birra, mas para isso é Que pais e educadores as devem observar e conhecer – se querem ou não dormir, arranjando alternativas para as que não querem, do modo a que, obrigadas a dormir, não desaustinem o resto da turma.

Quem acorda cedo precisará mais de fazer a sesta, bem como nos dias em que as actividades foram muitas e, sobretudo, inovadoras. A sesta deve ser um passo da rotina, que a criança já antecipa quando está a fazer outras coisas anteriores, como lavar as mãos para ir comer.

A hora de dormir a sesta deve ser falada como uma hora boa e desejada – e aqui para nós, quantos não desejaríamos poder ter essa oportunidade de descanso a meio do dia
sem ser um elemento de ameaça, tipo «papão»: «Se te portas mal, vais dormir a sesta».

Embora menos do que no sono da noite, aquilo que referi no princípio deste capítulo
aplica-se à sesta – designadamente o receio da separação e do «estar com os adultos sem eles». Assim, o deitar e aconchegar, com mimo e um beijinho, deverão ser obrigatórios, e não o mandar para a cama como se tratasse de uma instituição militar.

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