A partir dos 6 meses – «a fase das grandes descobertas»



E a partir desta idade que aumenta a fase da grande curiosidade, de descoberta do mundo. A criança já é capaz de observar em todas as direções, já vê com pormenor objetos distantes (que vão, assim, prender a sua atenção e incitá-lo a descobri-los o que, se já gatinhar, lhe permitirá começar a fazer «asneiras» pois é, pais, atenção aos acidentes!), distingue facilmente os pais, irmãos e pessoas estranhas (começando, a partir dos 9 meses, a evidenciar uma certa aversão a estas últimas) e, dizem os especialistas, prefere as cores encarnada e amarela.

Paralelamente ao desenvolvimento visual, as mãos já se articulam nos seus movimentos finos, podendo pegar nos objetos, transferi-los de uma mão para a outra, apontar com o indicador (e fazer exigências começa o período reivindicativo…) e procurar objetos que, por exemplo, caem ou desaparecem repentinamente do campo visual.
O interesse que as coisas despertam é tão grande, a partir de cerca dos 6 meses, que o bebé modifica espontaneamente a posição do seu corpo para ver melhor inclina-se para trás, volta a cabeça, torce-se. O pior é quando os objetos passam com uma certa velocidade aí já as coisas se tornam mais difíceis e só por volta do ano é que começa a haver um certo controlo destes acontecimentos…

Após o ano já há percepção dos objetos em duas dimensões e, mais tarde, a noção da profundidade.
Um aspecto importante é que a visão não funciona isolada, pelo contrário, é um sentido intimamente ligado aos restantes, muito especialmente à audição e aos movimentos finos. A conjugação destas extraordinárias capacidades, tantas vezes subestimadas, permite praticar o que é, talvez, uma das maiores capacidades do ser humano comunicar. A comunicação com o mundo, processo no qual a visão desempenha um papel fundamental, começa no bebé mesmo antes de nascer e prolonga-se até à morte. Os êxitos e insucessos, vitórias e derrotas, satisfação e frustração dependem muito da qualidade da nossa comunicação com o mundo, não só o animal «entre o qual em grande destaque o mundo humano», mas também o vegetal e mineral.

A descoberta do mundo, feita «de dentro para fora», ou seja, do corpo do próprio bebé para o mundo próximo e depois para o mais distante, corresponde a algo de fascinante e a que nós, pais, deveríamos porventura dar mais importância e seguir mais atentamente. A falta de tempo crónica que a sociedade atual nos impõe não pode ser desculpa – há que seguir as descobertas dos nossos filhos e ver a sua evolução, desde que descobrem as mãos e os pés, até à preocupação que têm com as pessoas e objetos, muito especialmente os que lhes satisfazem as necessidades fundamentais (entre as quais a alimentação) e lhes dão carinho e proteção.
Reafirmada que está a importância fundamental da visão no processo interactivo e de comunicação com o mundo, há que velar por essa visão de modo a que:

1.° sejam evitadas as agressões sobre o aparelho visual, nomeadamente as que provêm de estimulação excessiva, em quantidade e qualidade, com destaque para a falta de condições ambientais que se proporcionam ao bebé e à criança para ver este aspeto levantaria a questão da iluminação geral, da televisão, das fotografias com flash, o uso de óculos escuros no Verão, etc;

2. ° sejam detectadas e diagnosticadas precocemente as perturbações da visão que, muitas vezes, podem ser corrigidas, para além de se poder também retardar a sua evolução;

3. ° nas crianças que têm problemas visuais, em menor ou maior grau, há que compensar essa perda com a estimulação dos outros sentidos, e compreender que a sua interação com o mundo terá que ser feita, provavelmente, quando as lesões são muito comprometedoras, de maneira diferente das crianças com visão normal.
A estimulação precoce é essencial e pode fazer com que uma criança com níveis muito baixos de acuidade visual possa utilizar todos os estímulos que lhe chegam, usando-os para uma vida praticamente normal. Quem vê bem desperdiça muitos estímulos luminosos.

Conselho

Posso tirar fotografias ao meu bebé?
Esta pergunta surge com enorme frequência. Outras vezes nem chega a ser feita, o que não quer dizer que o bebé, desde que nasce, às vezes mesmo na sala de partos, não seja «atacado» por vários paparazzis, seja o pai, sejam outros familiares e amigos.
Mas… já repararam que, quando se tira uma fotografia a uma criança, os olhos ficam sempre encarnados? Essa tonalidade encarnada/alaranjada corresponde, nem mais nem menos, à imagem dos vasos sanguíneos da retina. Entre o disparar a máquina e o impressionar da película ou do chip, a luz tem tempo de ir, bater na retina e voltar. Só depois os olhos se fecham. É, no fundo, como se estivéssemos a fazer um exame ao fundo do olho, como os oftalmologistas fazem.

Isto quer dizer que, cada vez que tiramos uma fotografia a uma criança, estamos a sujeitar a retina a uma estimulação luminosa fortíssima, intensiva e brusca. Que não é nada recomendável, se pensarmos que os vasos da retina e a própria retina estão em formação.
Portanto: fotografias, sim, mas apenas com luz natural. Sem flash. Obrigado!

O que é o estrabismo?

Nem em todos os estrabismos o «enviesamento» dos olhos é bem visível, pelo que é necessário levar a criança ao médico assistente para realizar testes de visão em certas idades-chave (2, 4, 6, 9 e 12 meses). Por outro lado, há muitos casos em que os olhos parecem tortos mas não o estão: são os chamados «falsos» estrabismos ou «pseudo estrabismos», em que o que está «torto» é a pele que rodeia o globo ocular e não o globo ocular propriamente dito.
O estrabismo é uma situação que deve ser detectada no primeiro ano de vida e não deve ser subestimada, pelo menos até se ter a certeza de que se trata de um «falso» estrabismo.

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