A partir dos 4 anos



Além de múltiplas actividades e momentos comuns aos 2-3 anos, há algumas especificidades que valerá a pena mencionar:

Momentos de grande grupo

O chamado «tempo de grande grupo» é um espaço destinado à partilha, por todo o grupo,
de informações consideradas importantes, bem como à habituação a participar em atividades próprias para grupos maiores. O tempo em grande grupo reúne crianças e adultos, por períodos de tempo breves, ajudando a construir o sentido de «nós» e de «nosso».

Façam-se jogos, conversas, cantigas ou leitura de histórias, a criança tem oportunidade de crescer e se desenvolver de forma espontânea.

São características deste momento:

-falar livremente sobre ideias e observações;
-resolver problemas em conjunto;
-ter prazer de fazer coisas em conjunto;
-receber o apoio dos adultos nas suas iniciativas;
-crescente valorização de si própria;
-desinibição;
-promover a socialização e a relação com os outros;
-exercitar a concentração e a atenção;
-aprender valores que não se ensinam, mas que se «vivem»;
-retorno à calma.

Atividades temáticas

São actividades que surgem todos os anos, e muito importantes, pois ajudam a criança a encontrar uma organização temporal, dando-lhe segurança para prever o que vem depois. Podemos tomar como exemplos os trabalhos de Outono, Natal, Dia de Reis, Carnaval, Dia do Pai. Primavera, Dia da Mãe ou Dia da Criança, entre outros.

Este género de actividade pressupõe quase sempre o domínio da expressão plástica e
as suas diferentes técnicas.

Atividades baseadas em diferentes pedagogias

Aos 4-5 anos há que valorizar algumas atividades eminentemente pedagógicas, como
a iniciação à leitura e à escrita, a iniciação ao raciocínio lógico-matemático e a brincadeira livre.

Para desenvolver os dois primeiros pontos utiliza-se;
-cartão do nome – cada criança tem o seu cartão, com o nome escrito em letras maiúsculas e minúsculas, por livre iniciativa, e naturalmente vai recorrendo ao mesmo, começando a esboçar o seu nome;
• mapa das presenças – tal como foi descrito para os 2-3 anos, sendo mais uma forma de a criança reconhecer símbolos e relacioná-los consigo e com os outros;
•calendário – o grupo tem uma responsabilidade comum em fazer um desenho do dia e
colá-lo no dia correspondente. Deste modo, a criança começa a desenvolver uma noção espacio-temporal, pois já sabe quantos dias faltam para o fim-de-semana ou para algum evento importante que a educadora ou crianças marcaram no calendário (festas, aniversários, etc).

Texto livre

Naturalmente mais evoluído do que nos 2-3 anos, é feito semanalmente e exposto nas paredes da sala. Acima de tudo, o texto livre valoriza as acções e as vivências das
crianças, pois nele são registadas as novidades das suas vidas, verbalizadas de forma espontânea.
• inicialmente a educadora escreve o texto, o nome e a data, e a criança ilustra o texto conforme o seu grau de desenvolvimento;
• numa segunda fase a criança já escreve o seu nome;
• numa terceira fase a criança escreve o texto e o nome em letras maiúsculas, escreve a data e ilustra;
• por último, a criança escreve o, texto e o nome com letras minúsculas (forma mais
arredondada aproximando-se do tipo de letras que irá encontrar no 1 0 ciclo), escreve a data e ilustra de forma cada vez mais fiel o que viveu. O texto livre vai neste contexto substituir as fichas convencionais, pois a criança, neste exercício, está em contacto com o código escrito, com os algarismos, e através do desenho vais exercitando os grafismos.

Ficheiro de letras

Consiste numa caixa com vinte e quatro envelopes, correspondendo cada um a uma letra do abcedário; dentro dos mesmos a criança vai encontrar recortes dessas letras.

O abcedário pode ser utilizado para escrever textos de uma forma diferente: por exemplo, a educadora escreve a vivência da criança e esta vai fazer corresponder a cada letra escrita uma letra que vai procurar no ficheiro.

Ficheiro de imagens

São cartões feitos em conjunto, pelas crianças e educadora, que consistem no recorte
de imagens e escrita do nome correspondente. A criança, ao copiar o nome e visualizar a imagem, vai fazendo uma associação espontânea da palavra falada à palavra escrita.

Registos mensais

É um registo feito pela educadora, no qual esta inscreve as mais recentes aquisições da criança no jardim-de-infância. Este registo serve de material de observação da educadora, valorização da criança, e de comunicação entre a escola e a família.

Registo da actividade

Todas as actividades feitas pelas crianças são acompanhadas por um registo escrito,
que explica como estas surgiram, como foram elaboradas, expondo opinião das crianças sobre a actividade.

Brincadeira livre

Nos momentos de brincadeira livre, a criança de 4-5 anos tem a oportunidade de escolher a actividade que mais lhe agrada. Estas tomadas de decisão vão fomentar a autonomia e uma crescente auto-estima. A brincadeira livre é uma actividade rica e reveladora do empenho da criança, em construir a sua personalidade. É também neste contexto que a criança:

• descobre alegrias e dificuldades da colaboração com outras crianças;
• explora e representa dados da vida real;
• aprende a planear no tempo e no espaço;
• consciencializar-se sobre a importância da existência de regras;
• explora dados da vida real;
• começa a aceitar e a respeitar as brincadeiras dos outros, assim como o tempo de
cada um.

A brincadeira livre pode ser feita na sala ou no recreio.

Actividades de sala

São muito variadas, designadamente:
• jogos de construção (legos, puzzles, etc);
• jogos de lógica (dominó, jogos de correspondência):
• casinha/escritório – um espaço em que a criança tem oportunidade de brincar ao faz-de-conta, encarnando e representando personagens e situações da vida real, fazendo em simultâneo o jogo simbólico, e dando vários significados a diferentes objetos;
• plasticina;
• desenho (canetas de feltro, marcadores, lápis de cor. lápis de cera);
• pintura (guache, aguarelas);
• recorte/colagem;
• animais;
• carros;
• biblioteca – fomentando o gosto pela leitura e o manuseamento dos livros.

Recreio

O recreio é um espaço da maior importância (infelizmente, à medida que a criança
avança no sistema educativo, o recreio começa a ser visto como um «intervalo- para ir à casa de banho ou correr para a cantina). Nesta idade, o recreio representa uma oportunidade diária para as crianças se envolverem em atividades lúdicas vigorosas e barulhentas, num contexto mais expansivo, no qual desenvolvem a sua motricidade larga ao correrem, saltarem e fazerem vários jogos.

Pedagogia de situação

A valorização do que a criança faz ou conta, leva ao encontro de situações interessantes, que fazem com que se desenvolva entusiasmo e satisfação, e o saboroso gosto da partilha com adultos e crianças. As educadoras devem estar atentas aos interesses e motivações das crianças, valorizando constantemente o que estas podem trazer de novo, e aprendendo com elas. Só situações vividas pelas crianças terão significado, e serão apreendidas pelas mesmas, cabendo aos adultos «agarrar» situações espontâneas da criança e valorizá-las, tornando-as aprendizagens ativas.

Pedagogia de projecto

A vontade comum do grupo em partilhar, contar e trabalhar em conjunto, pode levar ao
desenvolvimento, ao longo de um ano lectivo, de um projecto relacionado, por exemplo, com a Comunicação/Linguagem/Descoberta do Livro. O projecto vai ao encontro do que é trabalhado anualmente na sala, ou seja, no dia-a-dia do grupo.

Quando se apercebe que o código escrito permite comunicação, observa-se uma vontade crescente das crianças de 4-5 anos em querer apreendê-lo.

As capacidades escritas desenvolvem-se gradualmente, e em consonância com o desenvolvimento da linguagem oral, devendo ambas ser apoiadas de forma coordenada,
num ambiente em que a comunicação e a interacção são valorizadas. É um processo repleto de actividade, conversas, risos, pensar em voz alta, diálogos e descobertas, e onde a criança vivência experiências das quais pode falar livremente, onde tem sempre alguém atento a elas, envolvendo-se em diálogo.

As interacções com pessoas e materiais, preparam o palco para construir a sua compreensão e gosto pela linguagem, leitura e escrita. Não será nosso objectivo que a criança transite para a primária a saber ler, mas sim que leve um gosto e uma curiosidade especial pela escrita, e consequente vontade para aprender a ler.

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