A mãe



As mães são mães. Sempre. E é quem nos ocorre quando algo não está bem, quando nos apercebemos do perigo. As mães geraram-nos e cuidaram de nós, deram-nos mimo e afeto – e é para dentro da barriga delas que queremos regressar, sempre que nos sentimos tristes, desconfortáveis ou em risco, doentes ou com medo.

Se estiver frio, deitamo-nos enroscados. Se alguém nos ameaçar, encolhemo-nos. Em situações de graves carências alimentares ou afetivas, voltamos à forma de girino. A posição fetal poderá não passar de uma ilusão de segurança, mas tão forte que funciona na nossa mente, pelo menos o suficiente para nos esquecermos do resto, do que nos ameaça.

As mães são calor, são fortes e são segurança. Estudos recentes revelam que os mamíferos precisam de ver a mãe, nos primeiros anos de vida, como farol de securização. Mal nascem deveriam ser postos a mamar, abraçados pela mãe.

E só é pena que as leis e o Estado não compreendam o que a Ciência mostra, ao analisar os comportamentos humanos, designadamente das nossas crias.

Após os 9 meses de idade há uma nítida sensação de que os filhos «fogem por entre os dedos» das mães. O surto de desenvolvimento que começa nessa idade, e que se prolonga pelo menos até ao ano e meio, faz-se no sentido da autonomia, embora com o correspondente contrapeso da regressão.

No primeiro componente é o pai o principal motor, no segundo a mãe.
O instinto maternal, que não desapareceu só porque os estilos de vida mudaram, quanto muito «amansou-se», leva a que as mulheres sejam «programadas» para terem muitos filhos, mesmo que não os tenham ou decidam não os ter. Mas há que diferenciar o que é genético e antropológico, do que é social. O que é emocional do que é racional.

Ao longo de centenas de milhares de anos, quando a criança começava a crescer, no sentido dessa explosão autonómica, devidamente puxado pelo pai, a mãe já estaria à espera de outro bebé ou pelo menos a programá-lo para breve, e assim seria até ter uma dezena de filhos e ver totalmente preenchido o seu sentimento de maternidade sendo então ao desejo de ser avó.

Isto não acontece hoje, pelas múltiplas razoes conhecidas, o que leva a que as avós muitas vezes vejam nos netos os filhos que já não tiveram, e as mães sintam que este crescimento dos filhos e a sua «fuga» dói. E dói muito. E às vezes a vontade de os manter pequeninos é grande – como provam todas as crianças com mais de 1 ano que mamam durante a noite ou quando fazem uma birra.

Estes lutos são difíceis, como qualquer luto. Sofre-se. Mas não se lhes pode fugir, se se quer atingir a tranquilidade.

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