A fantasia de mãos dadas com a imaginação e a criatividade



As crianças, entre os 2 e os 5 anos de idade, vivem no que Jean Piaget classificou como o estádio pré-operatório, ou de pensamento intuitivo. Ainda não conseguem efetuar operações, pelo menos de modo desenvolto, mas utilizam a inteligência e o pensamento, exercitando o raciocínio.

Estas características revelam-se a vários níveis:

Jogo

• Grande apetência pelo «faz-de-conta» e pelo «brincar aos…», e inventar coisas, o que põe alguns adultos à beira de um ataque de nervos porque acham que «aquilo não é nada um carro ou uma casa»;

• Na linguagem do jogo: depois dos 2 anos começa a falar sequencialmente e associando as palavras aos atos, até não se calar, quando está a brincar, servindo de locutor ao que está a fazer;

• Na gestão das angústias enquanto brinca, simulando histórias e atos que a ajudam a ultrapassar momentos mais difíceis ou incómodos.

 

Desenho

• Até aos 2 anos fazem-se riscos sem sentido: a criança gosta sobretudo de riscar porque é engraçado deslocar uma caneta ou um lápis no papel e ver o que ficou. O desenho não representa nada de concreto nem simbólico;

• Aos 3 anos já o desenho vale por ele, embora faça apenas riscos com algum nexo, a que atribui um nome – «é o pai», «é uma casa» e começa a desenhar as pessoas, com os braços muito grandes a sair do pescoço (que não existe propriamente), com umas mãos igualmente grandes, e umas pernas compridas que terminam num pé-bota. Os olhos não são simétricos e as orelhas, a haver, são enormes. O cabelo podem ser uns riscos ou não existir;

• Aos 4 anos a figura humana é bem desenhada, com alguns pormenores e adereços (roupa, brincos) e procurando jogar com as cores para definir o que quer expressar. Já desenha árvores e o Sol ou a Lua. O desenho já é definido primeiro na mente, e o que a mão faz é previamente construído, ou seja, começa a desenvolver a criatividade e a sentir uma enorme liberdade de execução, não tendo limites (caso os adultos não os ponham) para a sua expressão; a cor nem sempre é a correspondente à realidade (cara azul, olhos vermelhos) e os tamanhos relativos também não são os reais (o cão do mesmo tamanho do que a casa). Os adultos já percebem que aquilo que está feito é um gato ou uma árvore;

• Começa a entrar no mundo dos símbolos, e a interessar-se por eles, como é o caso das letras. «Esta é a minha letra.» «Esta é a do pai.»

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