A exploração dos limites físicos e relacionais



A exploração dos limites físicos e do corpo é uma vertente de toda a vida, não apenas do primeiro ano ou da adolescência. Quando subimos (ou não!) uma escada e reparamos que ficamos cansados ao fim de uns quantos lances estamos a experimentar os nossos limites, tanto quanto um bebé quando trepa para uma cadeira, mesmo com o risco de cair.

Nas alturas em que o bebé sente uma maior variação do corpo, seja nas suas dimensões (períodos de maior crescimento), seja nas suas competências (períodos de exercitação e aprendizagem com possibilidade de «fazer»), terá tendência a testá-lo relativamente aos objetos, aos espaços e às pessoas. Daí um bebé mexer numa determinada coisa, ouvir dos pais que não o deve fazer, experimentar dezenas de vezes e receber sempre um «não» até deixar de o fazer. Voltará a experimentar quando se julgar mais «forte.

Do mesmo modo, a exploração dos limites do «poder» relativamente aos que mais lhe são próximos pais, irmãos, avós, educadores -, será uma consequência direta da sua evolução e construção cognitiva, intelectual, emocional e psicológica. O bebé, de cada vez que evolui terá que experimentar novamente as suas relações interpessoais.
E numa óptica de conquista de poder, nunca de subserviência.

Desta autêntica «bebedeira de poder», que os bebés com frequência têm, mas que lhes causa algum receio, tal o impulso que sentem para a frente, ou tão amplo é o movimento pendular, decorre a necessidade de ter segurança em que se reveja e refugie, e de balizas que lhe marquem minimamente o percurso e os limites. Um bebé precisa de elementos securizantes seja a rotina do dia-a-dia, seja a visão (depois a presença mesmo que não visível) dos pais e das pessoas mais importantes da sua vida. Não é por acaso que é em plena «crise» de autonomia motora e de capacidade de deslocação (o gatinhar ou andar agarrado cerca dos 9 meses) que o bebé começa a ter medo dos estranhos e a ficar mais agarrado aos pais as oscilações do pêndulo são maiores: o mesmo bebé que sai sozinho da sala a gatinhar e que só se deixa agarrar muito longe é o que olha para o avô que não vê há duas semanas e chora, refugiando-se nos braços do pai.

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