A autonomia e a vontade de dominar tudo e todos



Depois de nascer, a criança vai ganhando autonomia progressiva, pese embora a enorme dependência dos outros, designadamente dos pais. E vai descobrindo o mundo, em esferas sucessivas cada vez mais alargadas. Descobre o seu corpo, começando pelas mãos até chegar à extremidade oposta – os pés. Descobre os pais, os irmãos, os familiares e os amigos.

Descobre o berço, a cadeirinha, o espaço onde está no chão, o parque, os seus pequenos territórios. Mas depois dessas descobertas, o apetite insaciável que fez da espécie humana o que é, para o bem e para o mal, nunca pára. Mais e mais.

Querem tudo e agora! E ainda por cima a natureza, que nestas coisas joga sempre ao lado da sobrevivência, dá o complemento físico e logístico necessário para que esta ânsia psicológica e intelectual se concretize. Não serão as asas de ícaro, mas a capacidade de gatinhar, andar, trepar, correr, fugir, investigar, empoleirar, pôr um banco em cima de outro, agarrar em tudo e levar esse mesmo «tudo» à exploração pelos cinco sentidos.

Paralelamente ao domínio dos objetos e das coisas inertes, surge também, por volta dos 7/8 meses, a vontade que já vinha de trás, mas até então mais instintiva, menos consciente de controlar as pessoas. Ter o «mundo a seus pés», os pais e os avós numa roda viva a atenderem os pedidos (leia-se exigências) do menino ou da menina.

Mas pais, é nos primeiros anos de vida que se aprende a viver com limites. Assim como é nos primeiros meses e anos de vida que se aprende a gerir a contrariedade, a adversidade, o stresse e o fato de não podermos fazer sempre o que queremos (o que nos traria também muito tédio e muito desencanto). Claro que estes conceitos se sedimentam nas idades posteriores, até à idade adulta e mesmo nesta. Mas os primeiros anos de vida são essenciais.

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